O laser é sempre um tema atual, sendo uma das tecnologias mais versáteis e mais procuradas, tanto no universo da estética como na área dos tratamentos médicos.


A verdade é que esta tecnologia permite-nos trabalhar em praticamente tudo no corpo humano, desde que haja a compreensão do que implica realmente a tecnologia de laser, em oposição a outras tecnologias à base de luz.


Desde sempre a Humanidade olhou para o ambiente e graças à sua curiosidade natural ousou criar, manipular e mudar o ambiente à sua volta. A luz é algo que sempre nos fascinou por ser essencial, simbólica ou mesmo em termos práticos, por nos permitir tirar o melhor partido das nossas capacidades. Foi através desta observação da luz, que já no início dos 1600’s, o matemático holandês Willebrord Snell descreveu pela primeira vez a lei da refração da luz, trabalho que lançou a base para os estudos modernos da física da luz e, que levou ao desenvolvimento de muitas tecnologias, entre elas o laser.

O primeiro laser foi criado por Theodore H. Maiman no Hughes Research Laboratory e a partir daí esta tecnologia foi alvo de estudo extensivo com desenvolvimentos constantes em todas as áreas, desde a saúde, indústria, estética e até uso doméstico ou recreativo.

A última grande novidade na área da estética foi a nova geração de lasers de díodo que chegou a Portugal durante o ano de 2012. Esta novidade veio abrir o mercado da epilação a laser a um público que dificilmente a ela teria acesso no passado e permitiu ainda que este tratamento não fosse também tão doloroso como eram até então os tratamentos com laser ou luz pulsada.


Ariana Fonseca


Como formadora na área da estética, Ariana Fonseca (Head of Training do Grupo Stetical Business), reconhece que a chave para a realização de bons tratamentos de epilação a laser encontra-se numa boa preparação de base e na qualidade dos equipamentos. A capacidade para realizar um bom diagnóstico aliada à boa compreensão dos parâmetros de programação do laser permitem à técnica trabalhar com qualquer equipamento do mercado. Uma das questões mais comuns acerca do laser prende-se com a dúvida sobre qual dos lasers é melhor para a realização de um tratamento de epilação. Primeiro, convém esclarecer que não existe uma resposta única para esta questão. Nenhum laser é universalmente melhor que os outros, todos têm as suas características que os tornam mais específicos para determinado tratamento, consoante o objetivo do mesmo e consoante o tipo de pele.

Na área da epilação os principais lasers são o Alexandrite, Diodo e Nd:Yag.


LASER ALEXANDRITE

O laser Alexandrite tem um comprimento de onda de 755nm e recebe o seu nome do cristal de Alexandrite (pedra semipreciosa) que promove a emissão deste comprimento de onda específico. Dos três lasers utilizados para epilação este é o que apresenta a maior afinidade com a melanina, pigmento através do qual o laser atua no pelo. Esta afinidade promove a eficácia dos tratamentos, no entanto, e por este mesmo motivo, este comprimento de onda representa um maior risco para os fotótipos mais altos (IV, V, e VI). A alta reação da melanina à radiação dos 755nm faz com que o risco de queimadura na epiderme seja mais elevado.


LASER DÍODO

O laser de díodo pode apresentar qualquer comprimento de onda, no entanto, o que lhe é mais associado é o comprimento de onda de 808nm. Este comprimento de onda apresenta ainda uma boa afinidade para com a melanina, não sendo no entanto tão elevada como no caso do Alexandrite. Tal facto, aliado à forma de programar o laser e a uma ponteira refrigerada, permitiu que estes lasers fossem utilizados em todos os fotótipos com segurança, assim como trazer ao mercado uma forma de aplicar o laser consideravelmente menos dolorosa.


LASER ND:YAG

O laser Nd:Yag é, destas três opções, o que menos afinidade apresenta para a melanina. Este laser foi o único a ser utilizado nos fotótipos mais altos durante muitos anos. No entanto, a sua parametrização e características técnicas iniciais tornavam os tratamentos muito dolorosos e extremamente demorados, pelo que não era considerado uma opção viável para muitas pessoas.



Outra questão muitas vezes colocada, relaciona-se com a emissão de três comprimentos de onda por um único manípulo. Surge como a comparação entre o “laser de três ondas e o laser de díodo”. Os equipamentos com emissão de três comprimentos de onda foram uma das últimas inovações a surgir na área médico-estética e consequentemente vieram trazer algumas dúvidas aos profissionais que se deparam com a tecnologia pela primeira vez.

Primeiro que tudo é necessário compreender que ambos são laser de díodo. Uma vez que os díodos são componentes eletrónicos que podem ser concebidos para emitir qualquer comprimento de onda, o que surge são manípulos com três emissores de díodo, cada um com o seu comprimento de onda (755, 808, 1064 nm).

Necessariamente temos três emissores diferentes pois a tecnologia de laser é monocromática, ou seja, cada laser tem apenas um comprimento de onda. Esta é uma das quatro caraterísticas base que tornam a luz em laser. Sendo esta uma opção interessante para a epilação pois permite que haja emissão de comprimentos de onda complementares para dar resposta a todos os tipos de cliente. Podemos ainda usufruir dos três comprimentos de onda em manípulos separados. Qual é então a diferença entre trabalhar com três manípulos separados ou com três comprimentos de onda no mesmo manípulo?

Ao emitir três comprimentos de onda em simultâneo estamos a distribuir os recursos energéticos do laser dividindo-os em três, ou seja, temos um laser em que a irradiância está dividida em três luzes com caraterísticas diferentes. Em termos práticos este laser é muito eficaz, no entanto torna-se algo limitado em termos de energia.

Ao separar os três comprimentos de onda em três manípulos distintos,  temos três lasers diferentes com alta irradiância. É efetivamente equivalente a ter três equipamentos de laser, cada um com as suas caraterísticas e funções especificas. Desta forma, é possível tirar o melhor partido dos efeitos de cada um (Alexandrite, Díodo e Yag) tanto em epilação como explorando outras terapias que podem ser realizadas (fotorejuvenescimento, manchas, pequenas imperfeições vasculares, acne, etc…).
Em suma, a tecnologia de laser tem múltiplas aplicações e as suas possibilidades ainda estão a ser descobertas e desenvolvidas. Para nós, no mercado médico-estético, ainda há muito por onde explorar. No entanto, não devemos esquecer que é necessária uma boa formação para que os tratamentos sejam eficazes, seguros e para que possamos tirar o melhor partido das tecnologias!


Mais Notícias

Workshop Última Hora

Workshop Última Hora | 6 de Maio

saber mais